EUA pressionam Brasil e Flávio Bolsonaro tenta politizar a crise comercial
A relação entre Brasil e Estados Unidos entrou em nova zona de atrito depois da conclusão da investigação americana conhecida como Seção 301. O relatório apontou supostas práticas desleais da economia brasileira e colocou na mesa a possibilidade de taxar em 25% produtos vindos do país, ampliando a pressão sobre exportadores e sobre a diplomacia brasileira.
Entre os alvos citados pelos americanos estão o Pix e a Rua 25 de Março, em São Paulo, dois símbolos de uso massivo e comércio popular que, na visão de Washington, fariam parte de um ambiente regulatório problemático. A leitura do governo brasileiro é outra: trata-se de uma disputa comercial que exige negociação técnica e defesa objetiva dos interesses nacionais, não de uma sentença política contra o país.
Nesse contexto, o Ministério das Relações Exteriores enviou ao governo americano um documento para contestar as acusações e tentar abrir espaço para uma solução negociada. A estratégia do Itamaraty é evitar que o conflito escale para um choque tarifário com impacto direto em setores da economia brasileira, especialmente os mais dependentes do mercado externo.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à Presidência, tenta converter o episódio em munição política ao apostar na intervenção de Donald Trump. A movimentação reforça uma velha tentação da política brasileira: transformar uma tensão diplomática e comercial em palanque ideológico, mesmo quando o custo potencial recai sobre empresas, empregos e consumidores.