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A oito meses das eleições presidenciais em França, candidatos aceleram para o Eliseu

03 de September de 2026 25 leituras
A oito meses das eleições presidenciais em França, candidatos aceleram para o Eliseu

Em França, há mais de 20 candidatos que já exprimiram a sua vontade de chegar ao Eliseu. Para formalizar a candidatura para as eleições que se realizam em duas voltas em Abril e Maio do próximo ano, é preciso obter as assinaturas de 500 eleitos nacionais e locais, tarefa nem sempre simples para quem quer ser Presidente. No entanto, entre as duas dezenas de candidatos, há um nome que se destaca em todas as sondagens nas duas voltas das eleições: Marine Le Pen.

Candidata desde 2012 a todas as eleições presidenciais, a filha de Jean-Marie Le Pen e líder da extrema-direita pode ter em 2027 a possibilidade real de tornar-se Presidente da República francesa. Frente a ela, no outro lado dos extremos, está Jean-Luc Melenchon, o único que rivaliza com a popularidade de Marine Le Pen. Segundo Eric Monteiro, politólogo e docente na Universidade de La Rochelle, a única possibilidade de travar os extremos, seria reduzir o número de candidatos e encontra um candidato único ao centro, esquerda e direita, um verdadeiro desafio num cenário político francês muito disperso e polarizado.

"Vamos assistir a uma eleição inédita. Ela apresenta-se num contexto muito diferente do sistema tradicional de alternância entre dois grandes partidos. O espaço político francês encontra-se hoje completamente fragmentado em vários blocos, e um desses blocos é o partido do União Nacional, antigo Frente Nacional, de Marine Le Pen. Isto, sabendo que houve durante muitos meses uma expectativa de saber se ela podia ser candidata ou não à eleição, devido às decisões judiciais, porque ela estava acusada penalmente e foi condenada por ter desviado dinheiro do Parlamento Europeu. Esse é outro paradoxo, que é termos uma candidata que foi duas vezes condenada em primeira instância, em segunda instância, mas que vai ser candidata e que já oficializou a sua candidatura à eleição presidencial. é complexo. O partido não deixa de ser o partido fundado pelo pai, que numa democracia é um pouco estranho. Mas isso não impede que os franceses continuam a dar-lhe uma base de entre 25 a 35% de votos. Ela tem hipóteses de ser eleita, sem dúvida", explicou o académico.

No início do Verão, Marine Le Pen viu a sua pena de ineligibilidade encurtada, permitindo-lhe participar nas eleições, mas tem ainda a cumprir um ano de prisão domiciliária com pulseira electrónica. A decisão sobre a manutenção dessa parte da pena perntence agora ao principal tribunal de recurso em França, a Cour de Cassation, que deverá pronunciar-se antes do início da campanha eleitoral oficial já que será impossível realizar as deslocações necessárias de uma campanha com uma pulseira electrónica.

Ao mesmo tempo, os candidatos de centro como os antigos primeiros-ministros Édouard Philippe ou Gabriel Attal ou ainda o candidato de esquerda Raphaël Glucksmann não ultrapassam a barreira dos 15% na primeira volta. Face a Marine Le Pen, Jean-Luc Melénchon, da extrema-esquerda, é o candidato mais destacado e consegue chegar aos 20%, deixando como possibilidade aos franceses a escolha entre os extremos, algo que ameaça a Frente Republicana que até hoje tem impedido a extrema-direita de governar em França.

"Há vários riscos nesta eleição. Primeiro, esta fragmentação do primeiro turno, que pode levar um candidato dos extremos, quer seja da extrema-esquerda ou da extrema direita a potencialmente vir a ser presidente da República, e o desaparecimento progressivo da frente republicana. Se formos a ver, a extrema esquerda e extrema direita rondam os 25% para a extrema esquerda e 30 % para extrema direita. Portanto, os dois juntos são incompatíveis. Os dois juntos formam uma maioria, mas são incompatíveis para governar. Quer dizer que há, de certeza, no resto do espetro eleitoral, uma maioria progressista, quer do centro esquerda, quer do centro direita que poderia vir a governar. O problema é que ela está extremamente fragmentada para constituir uma frente republicana, como houve desde 2002, quando Jean-Marie Le Pen passou para a segunda volta e foi candidato contra Jacques Chirac. Foi a primeira vez que isso existiu nas eleições presidenciais. Houve uma frente republicana incontestável. Portanto, a Frente Republicana realmente funcionou e tem funcionado, mas, desta vez, o eleitor francês está cada vez mais cansado destas únicas opções: ou um candidato ao qual não adere completamente, ou há um candidato extremo. Portanto, há um risco real e a única maneira de manter uma espécie de representação das forças de progresso é de ter só um candidato", detalhou Éric Monteiro.

Se as aparições públicas e entrevistas dos diferentes candidatos se multiplicam nesta rentrée, também os diferentes cenários são analisados de forma quotidiana com múltiplas sondagens que prevêem todos os cenários possíveis nas duas voltas das eleições. Para Éric Monteiro as sondagens são credíveis no dia em que são realizadas, mas não podem prever o que se vai passar daqui a oito meses.

"As sondagens valem o que valem em função da temporalidade. Oito meses antes, elas reflectem a situação actual. As eleições são sempre num domingo. As últimas sondagens aparecem na sexta feira, portanto, nas 24 horas que precedem o escrutínio. Não há sondagens públicas, mas elas continuam a ser feitas. Elas são publicadas posteriormente e a margem de erro é entre 0,5% e 1%. Em regra geral, portanto, elas são credíveis. A questão é que é muito cedo e há muitas contradições ainda no discurso político. Enquanto não houver posições claramente definidas sobre questões essenciais que tocam os franceses, ou seja, concretamente, as reformas, o poder de compra, a transição energética, será muito difícil haver haver uma clarificação através das sondagens", concluiu.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.rfi.fr.

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